História de Medas

Os limites

Rio Douro contorna a nossa freguesia pelo Nascente, Sul e Poente. Ainda pelo Poente, constitui limite da nossa freguesia, com a vizinha de Covelo, uma linha imaginária convencional que, partindo do sítio da Volta, termina no sítio do Couce, na margem do Ribeiro do Couce. Desde este ponto, é limite entre Medas e Covelo, todo o curso do mesmo ribeiro, também denominado Ribeiro do Corgo, até à sua nascente. Da nascente do referido ribeiro até à cumeada da Serra das Flores ou Açores, é limite entre Medas e Covelo uma linha imaginária perpendicular àquela cumeada. A partir da intersecção entre aquela linha imaginária e a cumeada da Serra, numa distância de 370 metros, ao longo da dita cumeada, a freguesia de Medas confronta com a de Aguiar de Sousa pelas respectivas águas vertentes e prossegue o limite com a freguesia de Melres pelas mesmas águas vertentes até a distância de 50 metros da fachada Noroeste da Capela de Santa Bárbara.

A partir deste ponto o limite é uma linha imaginária que desce pela encosta na perpendicular com a cumeada e sobe a encosta do monte do Outeiro Alto até ao cume e desce na direcção da Estrada Nacional n.º 108 que atravessa ao km 19,356 metros, em direcção ao Rio Douro que toca a Norte da Póvoa.

Festas e Romarias

Medas no Século XIX

Pode dizer-se que, toda a vida da freguesia, durante o Século (Séc. XIX), funcionou em torno da actividade rural mas, no último quarto da centúria em apreço, a nossa terra conheceu uma importante alteração no seu modo de vida. Com efeito, em 1877 entrou em laboração uma mina de antimónio, nas encostas da Serra dos Açores e outras se lhe seguiram. Uma das mais conhecidas foi a da Fontinha. Durante este período, a actividade principal continuou a ser a agricultura mas, as necessidades de mão-de-obra impuseram a vinda de muitos trabalhadores de outra regiões do país, sendo certo que, alguns deles, aqui se fixaram para sempre.

Estes trabalhadores deslocados contribuíram para o desenvolvimento da economia local e trouxeram das suas terras alguns usos e costumes assim como temas da sua cultura musical popular.

No século XIX o vestuário espelha não só as diferenças de cada região mas também o nível económico-social e a profissão de quem o enverga. As dificuldades de comunicação impediam a adopção de um padrão universal e a sociedade estratificada estabelecia rígidos e inultrapassáveis limites.

Cada família organizada numa base rural procurava a auto-suficiência, desde a alimentação ao vestuário. As culturas predominantes eram, no Século XIX: o milho, a batata, o centeio, o trigo, o vinho, o azeite e o linho. Cada família procurava semear para comer e comer o que semeava.

No que diz respeito ao vestuário, os medenses confeccionavam as suas roupas com a lã das ovelhas e o linho. Os tecidos mais grosseiros eram produzidos em teares da freguesia mas havia a ganga, a chita, o veludo e a seda que eram comprados nas feiras ou no Porto. Os mais pobres, no Verão, andavam sempre descalços e, no Inverno, calçavam socos ou chancas. Esses usavam roupas de estopa, linho, lã ou ganga, nunca veludo ou seda que eram tecidos próprios dos mais abastados.

Para além do trabalho árduo nos campos, o povo cantava durante os seus afazeres e rara era a grande desfolhada ou escapelada que não fosse acompanhada por cantigas dançadas ao som da viola, do violão, do cavaquinho, dos ferrinhos, do bombo e da concertina.

A Igreja era verdadeiramente o centro de todas as festividades e manifestações de cultura. À sua volta e na sua dependência, com as mãos no trabalho e o coração no céu, todos os medenses se congregavam. A Igreja era assim incrementadora do bairrismo mais acérrimo e providencial na organização de todos os eventos e na supressão de todas as insuficiências.

Situação geográfica e breves apontamentos históricos

Serpenteada pelo Douro, a Nascente, Poente e Sul, aconchegada a Norte pelos montes da Serra de Açores ou das Flores, avista-se Medas à nossa direita, no percurso do Porto para Entre-os-Rios, logo depois da Barragem de Crestuma – Lever. Sinal inequívoco de que estamos a chegar é o repentino aparecimento de três grandes e enegrecidas chaminés da já desactivada unidade produtora de electricidade a par de outras três cujo brilho denota a sua recente construção. Este cenário industrial contrasta, com o verde dos campos e florestas que se impõe em quase todo o espaço apenas pintalgado aqui e acolá, nos pequenos vales e encostas, por habitações unifamiliares circundadas por pequenas hortas ou alguns campos.

Medas engloba os lugares de Broalhos, Canas, Carvalhos, Castelo, Estivada, Fisga, Formiga, Igreja, Pombal, Presinho, Souto e Vila Cova, com uma população total de dois mil trezentos e quarenta e sete habitantes. Entre o lugar da Fisga e o do Castelo existem vestígios de um antigo castelo, que serviu de entrincheiramento nas guerrilhas de 1846.

Não se sabe se o topónimo “Medas” terá a ver com “montes de palha”ou se deriva de “meta”, considerada limite de uma região ou condado. É que, em todo o seu percurso, de Nascente para Poente, é aqui em Medas que o Douro se apresenta mais a Sul, admitindo-se assim que possa aqui ter constituído o fim ou meta de um reinado ou condado.

Agregada noutros tempos a Melres, a Aguiar de Sousa e a Lever, Medas integra, juntamente com mais onze freguesias, o Concelho de Gondomar. Daquela que se supõe ter sido a primeira Igreja, construída por volta de 1587 não há conhecimento do seu traçado mas, no mesmo local, foi reconstruída a actual igreja no quadriénio de 1881 a 1885. A este templo foi acrescentado em 1930 a torre sineira, a expensas dos irmãos Vianas da Casa da Estivada, emigrados no Brasil. As capelas de Vila Cova e de Broalhos completam o conjunto de 3 templos que, constituíam até aos nossos tempos, a matriz e núcleo de toda a vivência colectiva da nossa terra.

De topografia complicada e solos pobres, a floresta desempenhou sempre um papel importantíssimo como complemento da actividade agrícola. A “carqueja, a urze, o rachão e a mutena”, transportados rio abaixo para fonte de calor de fogões e fornos da cidade do Porto, constituíram sempre uma espécie de conta bancária a que o lavrador recorria em anos de “ruim colheita”.

A construção da Estrada Municipal de ligação a Gondomar e ao Porto pela Serra dos Açores ou das Flores, por volta de 1930, vai permitir o lançamento dos primeiros transportes motorizados com carreira regular, proporcionando viagens mais confortáveis e seguras e quebrando a hegemonia do rio Douro como via de comunicação de pessoas e fazenda.

Mais tarde, em 1956, é a nova estrada, marginal ao rio Douro que, nas suas barbas, com arrogância e desdém, lhe desfere a machadada final e, ao mesmo tempo, torna quase dispensável a velha e sinuosa via de montanha construída em 1930. Simultaneamente é construída a Central de Produção de Energia Eléctrica com base na combustão do carvão de S. Pedro da Cova e Pejão, transportado em teleféricos que deram, durante cerca de 40 anos, um ar industrial, à nossa freguesia.

Esta fase de industrialização é como que a reedição do período de exploração de antimónio e ouro que decorreu entre 1877 e 1896. Por esses tempos a freguesia acolheu famílias inteiras que para aqui migraram à procura de trabalho. Entre as várias companhias é de destacar a “ The Lixa Mining Company Limited”. A actividade decorreu a Norte, na encosta da Serra dos Açores em locais designados por Vale da Cana, Ribeiro da Serra e Vale dos Pinheirinhos.

A importância desta actividade é confirmável pela fixação dos próprios proprietários no local assim como de trabalhadores e respectivas famílias.

Medas hoje

1.º - Em Agosto de 1999 entrou em funcionamento pleno a nova central de produção de enérgica eléctrica que, queimando gás natural, é menos poluente do que a anterior, já desactivada.

É assim um virar de página nesta terra que recebeu a primeira central eléctrica a gás natural em Portugal, com benefícios a nível ambiental mas com desvantagem em relação à anterior na perspectiva de postos de trabalho, devido à tecnologia sofisticada agora usada.

2.º - A freguesia está agora muito bem dotada ao nível de equipamentos colectivos. Referem-se os seguintes:

3.º Ao nível de Associações culturais, desporto, recreio e assistência social, há a referir: